Grupo de trabalho constituído por diversas sociedades internacionais de cirurgia plástica cria manual de regras de segurança para autoenxerto de gordura na região glútea

ASPS, ASAPS, ISAPS, ISPRES, IFATS

Na missiva dirigida aos colegas cirurgiões plásticos que realizam a técnica de autoenxerto de gordura para melhoria do contorno da região glútea, este grupo de trabalho levanta as seguintes questões relacionadas com os riscos da intervenção:

A probabilidade de um evento fatal relacionado com o autoenxerto adiposo na região glútea é o mais alto de todos os procedimetos estéticos: cerca de 1/3000. Então, todos os cirurgiões plásticos deverão reavaliar a sua técnica de forma a incorporar as recomendações seguintes.
Alguns dos cirurgiões que realizaram esta intervenção em pacientes que vieram a ter complicações fatais mencionaram que tinham limitado a infiltração de gordura ao tecido subcutâneo, mas todas as respectivas autópsias revelaram os seguintes achados: gordura infiltrada nas camadas musculares; gordura depositada profundamente à camada muscular glútea; lesão da veia glútea superior ou inferior; embolia gorda massiva cardíaca e/ou pulmonar. Não está descrita, até ao momento, qualquer autópsia deste tipo de pacientes com gordura infiltrada apenas no tecido subcutâneo, o que deonstra que os cirurgiões infiltraram tecido adiposo em planos mais profundos do que pretendiam e/ou do que percecionaram.
Admite-se que o mecanismo causador da morte seja a entrada na circulação sanguínea de tecido adiposo depositado no espaço extravascular sob alta pressão, através de lacerações das veias glúteas e consequente embolização cardíaca e/ou pulmonar.

O grupo de trabalho recomenda, então, as seguintes práticas:
mantenha a cânula de infiltração o mais longe possível dos vasos glúteos e do nervo ciático. A gordura deve ser infiltrada apenas nos planos superficiais, sendo o espaço subcutâneo considerado o mais seguro. Se o volume de tecido adiposo necessário para a obtenção de um contorno esteticamente agradável for superior ao tolerado pelo tecido subcutâneo, em vez de infiltrar mais profundamente, deverá estadiar os procedimentos.
deverá saber, em cada instante da infiltração de tecido adiposo, a posição da ponta da cânula, de forma a certificar-se de que não existe passagem nos tecidos mais profundos, especialmente na metade medial da nádega, onde passam profundamente as estruturas neurovasculares referidas
use incisões cutâneas que permitam e facilitem o trajecto mais superficial possível em cada zona da nádega, e evite ângulações profundas; use a mão não-dominante para palpar a ponta da cânula e mantenha-a nos planos mais superficiais
use instrumentos que maximizem o seu controlo sobre a cânula. Evite cânulas que dobrem facilmente e conecções luer móveis. As cânulas vibratórios podem ajudar na determinação da posição da ponta por palpação
a infiltração apenas deverá ocorrer com a cânula em movimento para evitar depósito sob alta pressão
o risco de morte deve ser discutido previamente com cada paciente candidato a autoenxerto adiposo na região glútea
outros artigos úteis (versões em inglês) para consulta:
Staying Safe During Gluteal Fat Transplantation, Plastic and Reconstructive Surgery, January 2018
Report on Mortality from Gluteal Fat Grafting: Recommendations from the ASERF Task Force; Aesthetic Surgery Journal, July 2017
Acceptable Risk: Who Decides? Editorial by Foad Nahai, MD, Aesthetic Surgery Journal, July 2017

Estão a ser planeados vários trabalhos de investigação patrocinados pela The Plastic Surgery Foundation (PSF), Aesthetic Surgery Education and Research Foundation (ASERF) e pela International Society of Aesthetic Plastic Surgery (ISAPS), monitorizados por este grupo de trabalho. Os trabalhos visam correlacionar a anatomia topográfica com a cirúrgica, definir zonas de maior risco e estudar melhor o mecanismo de embolização. Esta investigação poderá ser determinante para prática segura desta intervenção no futuro.
Os membros do grupo de trabalho assistiram às autópsias médico-legais, extraindo informação importante.

Se presenciar ou souber de alguma fatalidade relacionada com este tipo de procedimento, contacte imediatamente o co-responsável pelo grupo de trabalho Keith Hume, diretor executivo da Plastic Surgery Foundation, através do email khume@plasticsurgery.org.